Najup-DF termina iniciando o seu 1º (dis)Curso de Formação!

13/08/2011

Ontem, 12 de agosto, terminou iniciando o 1º (dis)Curso de Formação do Najup-DF. Terminou a oficialidade, mas iniciou-se um longo caminhar de desordem e processo, pois, conforme dito no último dia, o Najup está mais da porta para fora (na rua) do que da porta para dentro (a não ser para dentro de cada um de nós).

Para o curso inscreveram-se 41 estudantes, sendo que, dest@s, 35 eram mulheres (o que demonstra que a mulherada está muito mais aberta ao Tesão). D@s 41, 15 foram selecionad@s para o curso por limites pedagógicos (e já pedimos desculpas aos/às que não participaram).

Diversos temas foram discutidos: Educação, Ideologia, Democracia, Poder, Movimentos Sociais, AJUPs e, é claro, Direito. Contamos com a presença de movimentos sociais com os quais o Najup já trabalha e fechamos a semana abrindo as portas para um novo Direito e para novos direitos com a proposta de construção de uma ciência social entregue ao povo, ao mundo.

Foram sorrisos e lágrimas, cansaço físico e vigor espiritual, músicas e poesias. Claro que não podemos deixar de dizer que tudo envolto em muito Tesão (vale dizer que a semana iniciou e terminou com o famigerado “tchu-tchu”).

Agradecimentos ficam aos/às estudantes e aos/às integrantes dos movimentos sociais.

Homenagens ficam para aquel@s que vieram antes de nós.

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Carta Aberta do Najup-DF à UCB

25/07/2011

No dia 25 de julho de 2011 o Najup-DF passou a fazer divulgação oficial de seu curso de formação que tem como título “Da tensão ao Tesão: por uma assessoria jurídica popular no DF”.

Para tal, colamos diversos cartazes pelo bloco central da UCB, como é típico da divulgação destes cursos. A repercussão foi tamanha dentro da Universidade que, em 5 horas, já tínhamos um total de 10 inscritos para um curso que conta com apenas 15 vagas. Já antevíamos um sucesso de inscrições quando recebemos a notícia de que deveríamos retirar os cartazes. O motivo? A palavra “Tesão”.

Bom, estas palavras que vão aqui visam o diálogo, mesmo que não possamos antever qualquer racionalidade na decisão tomada pela cúpula da UCB. Seja como for, cabe a nós explicar algo que, acreditamos, deveria ficar no nível da razão sensível.

Antes de começar, devemos dizer que falaremos um pouco da visão do Najup-DF sobre uma tema complexo: a educação.

A educação tradicional (ou escolarização) possui algumas características preponderantes que traduzem um “modelo” hegemônico. Comungamos, aqui, com Paulo Freire quando trata da educação bancária. Uma educação em que os estudantes são meros espectadores passivos do seu próprio aprendizado, em nada contribuem, em nada participam e, na prática, se portam como corpos frígidos.

Esta forma de ensinar/aprender castra a capacidade imaginativa dos discentes, limita sua produção acadêmica, faz com que a educação seja, tão somente, tensão! Isto mesmo, tensão do começo ao fim. Tensão ao entrar nas salas de aulas com seus livros na mão e se deparar com um professor que, por completo, parece não pertencer à sua realidade. Tensão ao assistir aulas em que a sua possibilidade criativa se limita a levantar a mão e ouvir respostas que desmoralizam o seu “desconhecimento” sobre os assuntos abordados. Tensão, pelo menos duas vezes por semestre, quando deve se submeter a uma bateria de avaliações que lhe tiram o sono, o faz decorar dezenas de fórmulas jurídicas para casos inexistentes e, finalmente, lhe revela o quão inútil foi todo um semestre “cumprindo tabela” todas os dias nos bancos da faculdade.

Aliás, reiteramos aqui que nosso debate pretender manter-se em nível acadêmico. Buscamos um nível de ciência que enfrente o senso comum (que, aliás, impregna os cursos de Direito). Assim, sobre “tensão”, não podemos deixar de citar um trabalho que trata de maneira peculiar deste tema. Já em 1930 (isso mesmo, a data está correta!) Deodoro Roca, um dos principais pensadores da Reforma Universitária de 1918 na Argentina (que também era advogado, acadêmico e defensor dos Direitos Humanos) já tecia críticas ao modelo de educação opressor em seu texto “Palabras Sobre los Exámenes”. Tudo sem considerar outras correntes, como a de Ivan Illich, para o qual o problema não se resolve com uma reforma do sistema estatal de educação, pois é justamente a escolarização a reprodutora das estruturas de dominação, sendo que defendia a extinção da “escola” como única forma de tornar a educação realmente libertadora.

Nós, do Najup, todavia, preferimos acompanhar o já saudado Paulo Freire. Acreditamos que a educação é um ato de amor e que somente neste pode se realizar. Acreditamos que os professores não são os únicos detentores do conhecimento e, acima de tudo, que temos (estudantes) condições de guiar nosso pensamento para a própria conscientização.

Estudar, então, passa a ser algo que não gera mais tensão. Algo que não nos tira o sono, mas pouse nossas cabeças pela noite, tranqüilos sobre o papel que devemos cumprir na História. Algo que nos deixe tão inebriados quanto encontrar velhos amigos. Passa a ser, então, puro Tesão!

Sim, meus caros, Tesão! Palavra que pode parecer deslocada no meio acadêmico, mas que tão somente refere-se à libido, ao prazer, palavras tão comuns na psicologia, na filosofia e, inclusive, na teologia.

A palavra libido, arriscamos em acreditar, vem do latim “desejo” ou “anseio”. Arriscamos mais ainda em dizer que foi o próprio Santo Agostinho (referimo-nos aqui ao filosofo e teólogo) o primeiro que, ao falar sobre as espécies de libido, tratou da libido sciendi (desejo pelo conhecimento).

É do prazer, do tesão, da libido encontrada no ato de conhecer a que nos referimos. Sentimos em ter de quebrar, então, o encanto do título de nosso curso de formação, pois o significado seria trabalhado durante dias com diversos estudantes.

Seja como for, “Da tensão ao Tesão” quer dizer “de um modelo de educação limitador ao prazer pelo aprender, pelo conhecimento e, acima de tudo, pelo ser humano e suas possibilidades”.

Esperamos que, com estas palavras, façamo-nos entendidos. E se, por ventura, os representantes da Universidade Católica de Brasília ainda conseguem ver malevolência em nosso texto de divulgação, devemos dizer que Freud é muito inteligível quando fala de id, ego e superego (recomendamos).

Saudações estudantis.

1º (dis)Curso de Formação do Najup-DF

24/07/2011

Da tensão ao Tesão: por uma assessoria jurídica popular no DF

O Najup-DF promoverá seu primeiro curso de formação. Para mais informações, leia abaixo e confira o edital.

_________________

Data do curso: 08 a 12 de agosto.

Horário: 14 às 18h

Local: sala A101

Conteúdo

1) Educação, Direito e Universidade. “Educação jurídica para a libertação

2) Direito e Ideologia. “O Direito como instrumento de dominação

3) Estado, Poder e Democracia. “Democracia, Poder e Estado”.

4) Movimentos Sociais. “O povo como opção

5) Assessoria Jurídica Popular. “Por uma dialética da participação

 

Inscrições

Onde se inscrever: najupdf@gmail.com

Quem pode se inscrever: estudantes do 1º ao último semestre.

Quando serão feitas as inscrições: do dia 25 de julho ao dia 05 de agosto.

Obrigatório para se inscrever: ler o edital no Graduação Online ou clicando aqui.

 

Observações importantes:

1) O objetivo maior do curso é formar novos membros para integrar o Najup.

2) Será concedido certificado de 20 horas complementares.

3) O número de vagas é limitado a 15 pessoas.

4) A inscrição será realizada por e-mail e deverá conter: nome, semestre, curso e reposta à pergunta: “por qual motivo você quer participar do curso?”

A importância da sociedade civil na luta pela Justiça de Transição no Brasil

09/07/2011

Nos dias 07 e 08 de julho, o NAJUP DF acompanhou o “II Seminário Latino-Americano de Justiça de Transição”, no qual representantes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Peru e Uruguai compartilharam experiências de lutas pela implementação de Direitos Humanos por intermédio da Justiça de Transição.

De forma bem simples, Justiça de Transição pode ser entendida como uma série de medidas  (judiciais e não-judiciais) levadas a efeito a fim de se enfrentar uma herança maligna de violações massivas dos Direitos Humanos. Assim, quando um Estado deixa de ser ditatorial para ser democrático, justo é garantir os direitos à memória e à verdade; responsabilizar os autores de graves crimes contra a humanidade; reparar as vítimas sobreviventes e as famílias de mortos e desaparecidos; fortalecer os valores que sustentam a democracia; e assegurar a não-repetição das barbaridades do passado.

Nós e boa parte dos nossos irmãos da América Latina sofremos as conseqüências de um passado de governos autoritários. Nesse contexto, de acordo com as suas características, cada país adota um modelo de Justiça de Transição diferente, o que não é um problema, desde que Direitos Humanos internacionalmente reconhecidos sejam respeitados. Ocorre que recentemente as autoridades brasileiras pisaram feio na bola.

Em abril do ano passado (na ADPF nº 153, ao firmar uma interpretação do art. 1º, § 1º, da Lei nº 6.683/79-Lei de Anistia), o nosso Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a auto-anistia (auto-perdão) de militares responsáveis por crimes contra a humanidade no período da ditadura. Dessa forma, em uma manifestação de puro humor sepulcral, uma corte composta por apenas 11 ministros debochou de toda a sociedade brasileira.

Contudo, a resposta internacional não tardou. Em novembro de 2010, no julgamento do famoso “Caso Araguaia”, a Corte Interamericana repudiou, também, a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil na ADPF nº 153. Isso porque entendeu que a Lei de Anistia brasileira (promulgada em plena ditadura militar), na parte que concede anistia a militares assassinos e torturadores, fere descaradamente normas e jurisprudências internacionais que versam sobre Direitos Humanos.

Ainda no julgamento do “Caso Araguaia”, o Brasil foi exortado a criar uma Comissão da Verdade, para que os fatos ocorridos durante o período da ditadura militar brasileira possam ser devidamente apurados, no intuito de se implementar uma efetiva Justiça de Transição.

Desde maio do ano passado, tramita no nosso Congresso Nacional um projeto de lei para criar a Comissão da Verdade, que até hoje não saiu do papel (ou seja, este projeto de lei pode estar agora nas mãos de pessoas como Sarney e Collor!).

Percebam, o que colocamos aqui sobre o posicionamento do STF e o projeto de lei da Comissão da Verdade é apenas uma pequena amostra da grandiosidade das discussões que foram realizadas no “II Seminário Latino-Americano de Justiça de Transição”. Mas o que nos levou mesmo a escrever estas linhas foi o fato de a conclusão do evento culminar no destaque da importância da sociedade civil na luta pela Justiça de Transição no Brasil.

Assim, nos disseram: que a ditadura militar havia dito uma vez que “nós nos perdoamos por ter matado, torturado e estuprado milhares de vidas brasileiras” e, recentemente, algumas autoridades brasileiras entenderam esse absurdo como algo perfeitamente normal e aceitável; e que tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para criar a Comissão da Verdade, cujo sucesso depende do acompanhamento do povo brasileiro. Ora,  ante tudo isso, não podemos ficar parados, pois há uma realidade que nos exige movimento!

Em nome dos valores democráticos e da garantia de não-repetição das barbáries do passado, o NAJUP DF está certo de que a necessidade de Justiça de Transição deve unir todos os movimentos sociais do Brasil, para juntos lutarmos pelo direito à memória e à verdade, pela reparação das vítimas e pela responsabilização dos criminosos da ditadura militar.

Há-braços!

O Acampamento Esperança e o poder instituído em favor do latifúndio

02/07/2011

No dia 25 de junho (sábado), o Najup-DF fez sua primeira visita ao Acampamento Esperança do MST. Localizado a leste do estado de Goiás, logo abaixo do Distrito Federal, o acampamento foi criado há aproximadamente seis anos, possui cerca de 35 famílias e tem área total de 18 hectares. Lá, os acampados esperam o cumprimento de uma promessa feita pelo Incra meia década atrás: a criação de um assentamento.

Em divisa com o acampamento está a prometida terra que deveria ter sido destinada para a reforma agrária. De propriedade da União, as propriedades, que possuem extensão total de 1.200 hectares, atualmente estão na posse de latifundiários da região que utilizam-nas para o plantio de monoculturas. A ação de reintegração de posse, ajuizada pelo Incra contra os posseiros, corre desde 2009 na Justiça Federal que, por sua vez, já se posicionou contra pedido liminar da autarquia.

Por outro lado, o Incra nunca emitiu a concessão de uso dos 18 hectares que os acampados utilizam para o plantio de alimentos orgânicos (sem a utilização de agrotóxico) e, por diversas vezes, utilizou-se do pretexto da burocracia processual para não regularizar a situação do movimento.

Enquanto isso, os vizinhos dos acampados (que possuem outras grandes propriedades na região) fazem terrorismo com os homens e mulheres do acampamento. Em época de plantio, a pulverização aérea passa por cima das famílias, banhando pessoas, animais e plantas com agrotóxico. Depoimentos individuais ainda revelam outras ações, como o ocorrido com um dos acampados que, ao voltar pela estrada à noite, foi interceptado por alguns homens e teve seu rosto esfregado com uma espiga de milho (isto “para aprender”, conforme disseram).

Apesar destes atos de violência, o coletivo possui uma ferida maior: o esquecimento. No processo judicial que corre em desfavor dos fazendeiros, o Incra não demonstrou a existência do acampamento que, há anos, espera pela terra. Ainda, as reuniões feitas com representantes do Incra são sempre baseadas no argumento de que “estarão resolvendo, mas é preciso esperar”. Diversas famílias já desistiram da terra e o acampamento hoje não é nem metade do que já foi um dia em números. A maioria dos remanescentes é de pessoas de meia-idade, idosos e crianças, sendo que os jovens foram buscar trabalho nas cidades próximas.

O Najup-DF passará a acompanhar as atividades do Acampamento Esperança, promoverá educação popular com base na realidade das famílias e estudará estratégias políticas a serem realizadas com o MST para a destinação adequada da terra.

Basta ao esquecimento! Direito à voz já!

(Fotos da visita podem ser vistas ao lado)

O Grito AJUPiano do Cerrado Federal

26/05/2011

À Comunidade Acadêmica da Universidade Católica de Brasília (UCB),

Às diversas Comunidades, acadêmicas ou não, universitárias ou não, católicas ou não, de Brasília ou Entorno,

Nós, um grupo de estudantes do curso de Direito da UCB, vimos por meio deste, no uso de nossas subversões, gritar aos quatro cantos do quadrilátero federal e muito mais além, que aqui há resistência, espírito e juventude.

Cumprindo o compromisso que nos atribui a história, conscientes do lugar em que estamos, sedentos e amantes, denunciamos a ordem e anunciamos a desordem de nosso tempo, denunciamos as estruturas desumanizantes e anunciamos as ações libertadoras nos seguintes termos:

Denunciamos o Direito que nos é levado goela abaixo, sendo que não passa de expressão maior das classes dominantes! Querem nos fazer assimilar o Direito com as Leis, fazer destas o objeto de estudo daquele, tornar estas últimas como fim maior da atividade intelectual do(a) jurista. Ao apresentar o dogmatismo como solução, fazem de dois dos maiores aparelhos ideológicos do Estado (a educação e o direito) um instrumento de reafirmação da ordem vigente.

Anunciamos a produção de um Direito que não desconsidere as Leis, mas as coloquem como parte do verdadeiro objeto de estudo do Direito: o fenômeno jurídico. Este sim a considerar a historicidade do Direito, o processo dialético que o orienta e, finalmente, as lutas sociais que permeiam a produção jurídica.

Denunciamos o modelo de ensino do Direito que, cópia malfadada da educação bancária, dita a autoridade do(a) professor(a) não pelo conhecimento, mas por sua profissão, posição social. Uma educação que reduz o(a) estudante a um receptáculo do magnífico saber do professor(a) (e que magnificência!). Professor(a) este(a) que, posicionado em pedestal, leva seus/suas aprendizes, de tempos em tempos, ao cadafalso.

Anunciamos  uma nova forma de aprender/saber. Fugimos do cadafalso e quebramos os pedestais. Orientando-nos a nós mesmos pelos caminhos onde o conhecimento se torna parte integrante de nossas vidas e dos que nos cercam, posicionamos o(a) professor(a) como amigo(a) e amante da mesma caminhada. Convidamos a estes tantos amigos e amigas a acompanhar-nos e, caso rejeitem, aplicamo-los uma pena: o esquecimento, a morte eterna.

Denunciamos a mercantilização da educação no Direito. Durante séculos neste país os juristas pertenceram a uma micro classe social dominante. Hoje as centenas de cursos jurídicos brasileiros querem nos fazer pensar que o liberalismo econômico, que toma a educação como mercadoria, “democratizou o ensino”. Milhares de bacharéis saem todos os anos das faculdades de Direito, mas nem por isso a consciência de cidadania aumenta na população. Tudo isto porque o ensino do direito positivo não forma juristas aptos(as) à prática da libertação (nem sua, nem dos outros), mas tão somente bacharéis prontos(as) para reproduzir as estruturas de dominação como verdades absolutas.

Anunciamos uma nova formação dos(as) futuros(as) juristas. Esta formação se dará com base no pressuposto de que o processo de cognição não se baseia apenas na percepção racional de uma sociedade imutável, mas, sim, que este processo ocorre de maneira esquizofrênica – assim como o é a sociedade –  e que cada indivíduo, como humano que é, deve desenvolver não somente uma de suas dimensões (o ter), mas, também, o ser e o poder. Elevamos a percepção dos problemas sociais à sensibilidade e a busca do conhecimento, por parte do estudante, como forma de persecução incessante do anseio humano: a felicidade.

Denunciamos o misticismo do Direito! A produção do conhecimento no Direito – que está diretamente ligada aos direitos essenciais à cidadania -, sob a justificativa de uma pretensa cientificidade, é mistificada de tal forma que as massas populares vêem o(a) jurista como um(a) verdadeiro(a) mago(a) da surrealidade. O que, como se sabe, advém de uma construção histórica do Direito que sempre esteve nas mãos de uma pequena parcela da sociedade.

Anunciamos a produção de um Direito que condiga com a realidade do povo. Produção esta que não ocorrerá dentro das salas de aula da academia, mas fora dos muros. É o direito achado na rua. A desmistificação do Direito ocorrerá na prática crítica, por meio de uma dialética da participação, ação-reflexão, denunciando a ideologia permeada no pensamento jurídico. Manifestamos a antropofagia jurídica!

Denunciamos a práxis dos(as) juristas (advogados(as), juízes(as), promotores(as), etc.) como ineficaz na resolução dos problemas sociais. Todos os dias são julgados milhares de processos nos tribunais e todos os problemas individuais são “resolvidos”, mas nenhum deles busca purificar a raiz podre que os alimenta. A pobreza, a violência e a dor aumentam e não são relatadas pela burocracia estatal nos seus papéis.

Anunciamos uma nova prática apta a resolver os problemas com (e não para) as camadas populares. Nesta, elevamos a conscientização como método. Desmistificaremos o conhecimento jurídico não com o propósito de justificá-lo, mas com o objetivo maior de transformá-lo. Por uma atuação e busca por solução dos problemas de forma coletiva, solidária e baseada na cooperação.

Denunciamos a traição da intelectualidade jurídica brasileira. Os(as) juristas orientam seu conhecimento para o Estado ou para o mercado, mas nunca para o povo. São centenas de milhares os que compõem os batalhões jurídicos das empresas e da burocracia estatal, mas raros(as) são os que trabalham com os que mais precisam e conhecem de suas angústias e medos. E não raras vezes reafirma-se o postulado poético de que “os desertos se encontram de várias formas, seja no espírito, no solo ou na mente através de idéias tortas que produzem gente morta em escala industrial”.

Anunciamos uma assessoria jurídica popular que veja o povo não como objeto de estudo orientado para o lucro ou para adentrar na máquina do Estado (a pretensa pacificação social que não passa de transformar o cidadão em consumidor). Uma assessoria jurídica popular que denuncie a violação a direitos, que oriente a produção de novos direitos e, finalmente, liberte e promova a desalienação de seus membros e dos que os cercam.

Denunciamos um movimento estudantil que há muito se descomprometeu com as causas populares. Verdadeiras extensões da luta partidária, as estruturas clássicas do movimento estudantil dentro das universidades não são capazes de alcançar autonomia e libertação de seus membros. Sob o discurso de ações sociais o que se faz é verdadeiro populismo eleitoreiro. Da mesma forma como a luta partidária é despreocupada com a desalienação do povo, o movimento estudantil, quando não cuida de resolver os anseios individuais de um coletivo, funciona como escada política para fora da universidade.

Anunciamos um novo movimento estudantil. Conscientes de que não será nos partidos políticos que resolveremos os problemas sociais, muito menos na estrutura eleitoral do movimento estudantil clássico que alavanca “líderes” que, assim como na política nacional, são escolhidos seja por causa de seu poderio econômico, seja pela atuação carismática. Assim, criaremos um movimento apartidário, mas nunca apolítico. Um movimento que cumpra sua própria função semântica: movimentar.

Assim, como candangos(as) (ou filhos e filhas de candangos e candangas) que somos – bons emigrantes –, convidamos a todos a movimentar-se, a migrar-se. Migrar-se da sala à rua, da tensão ao Tesão. A parir-se desta mãe de braços frios e seios secos. Rumo à arte, ao sentir e ao que ainda não exploramos (o eros jurídico).

Convidamos a todos e todas a aprontar e apontar [novos caminhos] para deixarmos de dever ao devir.

Imortalizar-nos.

[Que] Viva o Núcleo de Assessoria Jurídica Popular!

“[…] De que serve os anelão
Qui esses doutô tem nos dedo
Se duma impruvisação
Eles num sabe o segredo.

A iscola da Acadimia
Faz doutô de todo jeito:
– Faz doutô de Inginharia;
Doutô Juiz de Dereito;
Doutô para curá duença;
Faz inté doutô dentista.
Mas nunca hai de fazê
Um doutô saí de lá
Foimado em puisia[…]

Zé da Luz – cordelista paraibano.

Inauguração oficial!

26/05/2011

Com a divulgação do “Grito AJUPiano do Cerrado Federal”, o Núcleo de Assessoria Jurídica Popular do DF oficializa sua existência.

Em breve mais notícias serão divulgadas neste espaço.

Contato conosco pode ser feito pelo e-mail: najupdf@gmail.com